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Página inicial / Perdas gestacionais: entendendo os abortos e como lidar com a perda

Perdas gestacionais: entendendo os abortos e como lidar com a perda

  • 23/12/2025
  • 3:41 pm
Dra. Yedda Reis

Dra. Yedda Reis

Mastologista, Ginecologista e Obstetra

A perda gestacional, muitas vezes chamada de aborto espontâneo, é uma das experiências mais difíceis que uma mulher pode enfrentar durante a gravidez. Esse tema, embora muitas vezes envolto em tabu, precisa ser discutido de maneira aberta e empática, já que milhões de mulheres ao redor do mundo enfrentam essa situação todos os anos. 

O que é aperda gestacional?

A perda gestacional é o termo utilizado para descrever a interrupção de uma gravidez antes da 20ª semana. A causa mais comum é o aborto espontâneo, onde o feto não se desenvolve adequadamente, levando à perda da gestação. Essa situação pode ser devastadora para a mulher e seu parceiro, que muitas vezes enfrentam um período de dor emocional profunda.

Causas comuns da perda gestacional?

Existem diversas razões pelas quais uma mulher pode sofrer uma perda gestacional, muitas das quais não podem ser previstas ou evitadas. As causas mais comuns incluem:

  • Anomalias cromossômicas: Em muitos casos de aborto espontâneo, o feto possui anomalias cromossômicas que impedem seu desenvolvimento adequado. Essas falhas genéticas são a principal causa de perdas nos primeiros três meses de gestação.
  • Problemas hormonais: Distúrbios hormonais, como a deficiência de progesterona, podem interferir no desenvolvimento do feto.
  • Problemas no útero: Alterações anatômicas no útero, como miomas, septos ou malformações, podem dificultar a implantação e o crescimento do embrião.
  • Infecções: Certas infecções, como toxoplasmose, citomegalovírus ou infecções urinárias não tratadas, podem aumentar o risco de aborto.
  • Doenças autoimunes e condições de saúde: Doenças como lupus, diabetes mal controlada ou hipertensão podem interferir na gestação e levar à perda. As trombofilias são outras causam também importantes
  • Idiopáticas: este é o termo médico utilizado para falar que não encontrou nenhuma causa específica

Sintomas do aborto espontâneo

O aborto espontâneo pode ocorrer de forma repentina ou com sinais progressivos. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Sangramento vaginal: O sangramento pode variar de leve a intenso, com ou sem coágulos.
  • Cólica abdominal: A dor abdominal pode ser semelhante às cólicas menstruais ou mais forte, podendo ser associada ao sangramento.
  • Ausência de sintomas de gravidez: Em alguns casos, os sintomas típicos da gravidez, como náuseas e sensibilidade nos seios, desaparecem repentinamente.

É importante destacar que nem todo sangramento ou cólica indica um aborto espontâneo, e a mulher deve procurar orientação médica caso apresente esses sintomas sempre.

Diagnóstico do aborto espontâneo

Se você apresentar sintomas de um aborto espontâneo, o primeiro passo é procurar o atendimento médico. Alguns exames, como a  ultrassonografia e exames de sangue, podem confirmar o diagnóstico. 

O tratamento dependerá do tipo de aborto:

  • Aborto incompleto: Quando parte do tecido fetal foi expelido, mas parte ainda permanece no útero, podendo ser necessário realizar um procedimento para removê-lo.
  • Aborto completo: Quando todo o tecido fetal foi expelido naturalmente, a mulher poderá ser acompanhada de perto para garantir que não haja complicações.
  • Aborto retido: Quando o feto morre, mas ainda não é expelido, pode ser necessário realizar uma curetagem ou induzir o parto.

Impacto emocional e apoio psicológico

A perda gestacional pode ser profundamente dolorosa, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Muitas mulheres sentem-se tristes, frustradas e até culpadas pela perda, o que pode afetar sua saúde mental e sua capacidade de seguir em frente.

É fundamental que a mulher receba apoio psicológico para lidar com o luto, especialmente se tiver dificuldades em superar a dor. O apoio do parceiro, amigos e familiares também é essencial durante esse período. E lembre-se: não existe superar o que aconteceu, pois, uma perda gestacional nunca será superada. Com o tempo, aprenderemos a conviver com ela da melhor maneira possível. 

Prevenção e considerações para gravidezes futuras

Embora muitos abortos espontâneos ocorram devido a anomalias genéticas que não podem ser prevenidas, algumas mulheres podem estar em risco aumentado devido a problemas de saúde ou fatores de estilo de vida. Após a perda, o médico pode recomendar exames adicionais para investigar as causas e aconselhá-la sobre os cuidados em uma futura gestação.

Entre as recomendações mais comuns, estão:

  • Controle de doenças crônicas: Como diabetes e hipertensão, ajustes na tireoide.
  • Modificação de estilo de vida: Evitar o uso de substâncias nocivas à saúde, como álcool e tabaco; ajustes em alimentação, controle de peso e glicemia.
  • Uso de suplementos: ajustar vitaminas e nutrientes 
  • Avaliação genética do casal
  • Avaliação da anatomia do útero e tubas: revisar os exames de imagem uterinos, assim como das tubas. 

A perda gestacional é uma experiência dolorosa e complexa, tanto física quanto emocionalmente. Porém, é importante que as mulheres saibam que não estão sozinhas. O apoio médico adequado, a compreensão emocional e, muitas vezes, o tempo de recuperação, são fundamentais para atravessar essa difícil jornada. Se você passou por uma perda gestacional, lembre-se de que é possível seguir em frente com a ajuda certa e cuidados contínuos para sua saúde.

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